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Dispositivos Médicos: Vitais no Cuidado
dos doentes da Diabetes.
Inovação e Tecnologia por uma melhor
Qualidade de Vida


Diabetes: por que é necessário actuar?

As complicações relacionadas com a diabetes, como a cegueira, danos no sistema nervoso, insuficiência renal e as doenças cardíacas são devastadoras. Estima-se que a diabetes se torne numa das principais causas mundiais de incapacidade e morte nos próximos 25 anos.

O Que é a Diabetes?

As palavras diabetes mellitus são de origem grega e latina, sendo que diabetes significa corre em e mellitus significa mel. Na verdade, esta é uma boa descrição dos sintomas da diabetes, uma vez que particularmente o açúcar deixa de ser absorvido pelo corpo de uma pessoa com diabetes, sendo apenas excretado na urina. Este processo gera os sintomas clássicos: muita sede e quantidades abundantes de urina.

Outros sintomas da doença dependem do grau da disfunção metabólica. A diabetes é uma doença crónica que requer em todos os momentos cuidados especiais e tratamento. O objectivo do tratamento para a diabetes é compensar o metabolismo disfuncional e prevenir complicações a longo prazo tais como a cegueira, danos do sistema nervoso, insuficiência renal e doenças cardiovasculares.

Existem duas formas diabetes: de Tipo 1 e de Tipo 2. O número de pessoas com diabetes tem vindo a aumentar vertiginosamente, principalmente os doentes com diabetes de Tipo 2 (antigamente conhecida como a diabetes do adulto).Hoje em dia, as várias terapêuticas disponíveis tornam possível prevenir as complicações a longo prazo e garantir assim uma elevada qualidade de vida.

Actualmente, os diabéticos de Tipo 1 são frequentemente tratados com insulina de acção rápida (insulina da hora de refeição) e insulina de acção prolongada (insulina de base). Os doentes com diabetes de Tipo 2 são tradicionalmente tratados com comprimidos que estimulam a produção de insulina ou reduzem a produção de glicose no fígado. Com o passar do tempo, no entanto, poderá ser necessário adicionar a insulina ao tratamento com comprimidos - ou substituir os comprimidos por insulina, tanto na forma usada em doentes com diabetes de tipo 1 ou como fórmula pré-misturada combinando as insulinas de acção rápida e prolongada num só produto.

Em qualquer dos casos, os dispositivos médicos desempenham um importante papel no tratamento, proporcionando ao doente uma qualidade de vida superior.

194 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo
A diabetes é uma doença crónica diagnosticada todos os dias a um número significativo de pessoas. Segundo a Federação Internacional de Diabetes, existem actualmente mais de 194 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo. Se não se tomarem medidas para travar esta epidemia, em 2025, este número será superior a 333 milhões.

Em 2000, os cinco países com mais casos de diabetes eram a Índia (32,7 milhões), a China (22,6 milhões), os Estados Unidos (15,3 milhões), o Paquistão (8,8 milhões) e o Japão (7,1 milhões). Pelo menos 50% das pessoas com diabetes não têm consciência do seu estado.


A diabetes é a quarta causa de morte na maioria dos países desenvolvidos, a principal causa de cegueira e redução da acuidade visual nos adultos em países desenvolvidos e a causa mais frequente de amputação de membros não resultante de um acidente.

As pessoas com diabetes têm duas a quatro vezes mais probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares do que as pessoas que não têm diabetes. Estima-se que em 2025 a prevalência da diabetes seja o dobro da prevalência actual nas Américas e no Sudoeste do Pacífico e que chegue quase ao dobro na Europa. A diabetes é particularmente frequente em populações envelhecidas e está a aumentar proporcionalmente ao número de pessoas que vivem mais anos.

Existem provas conclusivas de que um bom controlo dos níveis de glicose no sangue pode reduzir substancialmente o risco de desenvolver complicações e retardar o avanço dessas complicações em todos os tipos de diabetes. A gestão da hipertensão e dos níveis elevados de lípidos (gorduras) no sangue é igualmente importante. Em todas as sociedades, um melhor controlo destes parâmetros contribuiria para uma melhoria substancial da qualidade de vida.

O ónus económico da diabetes
As complicações devastadoras da diabetes, tais como a cegueira, a insuficiência renal e a doença cardíaca, são sinónimo de um ónus enorme para os serviços de prestação de cuidados de saúde. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, estima-se que a diabetes absorve entre 5% e 10% do orçamento do serviço nacional de saúde de um país.

A Organização Mundial de Saúde divulgou que nos Estados Unidos, as famílias com um filho com diabetes podem chegar a despender 10% do orçamento familiar com o tratamento da diabetes. Por exemplo, o custo do tratamento da diabetes nos Estados Unidos em 1997 foi calculado em 44 mil milhões de dólares. Os custos intangíveis (dores, ansiedade, incómodos e uma qualidade de vida geralmente inferior, etc) têm também um grande impacto nas vidas dos doentes e das suas famílias e são o mais difícil de quantificar. Na maior parte dos países, o item do tratamento da diabetes que apresenta a maior despesa são os internamentos para tratamento de complicações de longo prazo, como doença cardíaca e AVC, insuficiência renal e problemas nos pés. É provável que um grande número de doentes de diabetes não consiga continuar a trabalhar com a produtividade que tinham antes do aparecimento da doença. Doença, absentismo, incapacidade, reforma antecipada ou mortalidade prematura podem causar diminuições da produtividade. Por exemplo, a estimativa dos custos directos dos factores acima nos Estados Unidos - 44 mil milhões de dólares - tem de ser considerada juntamente com uma redução de produtividade estimada em 54 mil milhões de dólares

Tecnologia Médica para Doentes de Diabetes

A diabetes é uma área importante onde a tecnologia médica desempenha um papel vital no cuidado do doente e apresenta um potencial significativo para uma segurança acrescida do doente, uma melhor qualidade de vida e uma redução dos custos com a prestação de cuidados médicos.

Normalmente, a grande preocupação em relação à diabetes está quase exclusivamente centrada na terapêutica medicinal. No entanto, a tecnologia médica desempenha um papel bastante importante no tratamento da diabetes. Esta área abrange produtos de administração de insulina tais como seringas, canetas de insulina, injectores automáticos de insulina, adesivos de insulina e bombas de insulina externas ou implantáveis. Os próximos quatro anos assistirão à introdução de alternativas à injecção, mais especificamente, a insulina passará a ser administrada através dos pulmões, usando um vaporizador ou através da inalação de um pó.
A tecnologia médica moderna permite ao doente diabético controlar os níveis de glicose no sangue de forma fácil e rigorosa, o que reduz substancialmente o risco de desenvolvimento de complicações e retarda o avanço da doença.

O rastreio e o tratamento precoce da retinopatia é também uma opção bastante eficaz em termos económicos, devido aos elevados custos directos, indirectos e intangíveis da cegueira. O rastreio de proteína na urina é outra das medidas preventivas válidas para evitar ou retardar o avanço inevitável da insuficiência renal.

Uma outra estratégia economicamente vantajosa é a prevenção da ulceração e amputação do pé. Cuidados eficazes com os pés reduzem tanto a frequência e duração dos períodos de internamento como a incidência de amputação em doentes de diabetes em 50%. Os novos produtos incluem pele artificial produzida por bio-engenharia , produtos bio-sintéticos ou dispositivos de cicatrização de feridas.
O Futuro Está na Tecnologia de Cuidados Domésticos

O doente diabético tem de aprender a realizar uma série de tarefas médicas diariamente e em casa, incluindo testes de glicose, mudança de penso ou injecções de insulina. No caso de insuficiência renal, pode ser cedido ao doente um sofisticado equipamento de diálise doméstico, que o ajudará a eliminar a retenção de líquidos e a sobrecarga de líquidos durante a noite, enquanto o doente dorme.
A expressão "cuidados domésticos" não tem a ver apenas com um grupo específico de doentes (ex., idosos) ou de indicações (ex., cuidados em situações terminais), mas sim com todos os produtos e serviços entregues ao doente de forma a permitir o tratamento e cuidado no conforto da sua casa. O denominador comum é o ambiente doméstico do doente onde a terapêutica é realizada e, consequentemente, um maior envolvimento do doente na gestão do tratamento e dos cuidados associados á sua condição clínica.

A tecnologia de cuidados domésticos contribui diariamente para o bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo. Desde cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, óculos, pensos para incontinência ou auxílios de locomoção, até tecnologias mais elaboradas e sistemas de monitorização remota de doentes, a tecnologia de cuidados domésticos ajuda a evitar ou reduzir a necessidade de hospitalização e contribui para instituir formas mais flexíveis de prestação de cuidados de saúde.

Foram vários os factores que contribuíram para o desenvolvimento dos cuidados domésticos. Um deles foi um melhor acesso à informação de saúde: o doente autónomo está mais sensibilizado para as questões relacionadas com saúde, a necessidade de um modo de vida saudável e a tecnologia disponível. O doente tornou-se mais exigente e pretende ter a melhor qualidade de vida possível. A revolução demográfica é outro factor: enquanto um em cada cinco europeus hoje tem 60 anos ou mais, essa proporção atingirá um em cada quatro europeus e nalguns países, um em dois europeus, durante a primeira metade do séc. XXI! Ao mesmo tempo, a expectativa de vida aos 60 anos é de 18 anos para os homens e de 22 anos para as mulheres (fonte: estatísticas demográficas das NU). Quando mais envelhecida for a população, maior será a pressão exercida sobre os sistemas de saúde; os cuidados domésticos podem nalguns casos ser uma alternativa económica aos cuidados hospitalares.

fonte: Eucomed